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Ciclo de conferências exalta importância histórica das misericórdias
20-Nov-2019


O ciclo de conferências que a Misericórdia de Lamego promove este ano para assinalar o seu 500º aniversário desvendou, no último sábado à tarde, mais pormenores do longo percurso histórico desta instituição de solidariedade social. Além disso, aprofundou o conhecimento sobre o papel que as misericórdias portuguesas desempenharam desde o final do século XV, nomeadamente na assistência aos pobres e na assistência hospitalar, quando foram fundadas pela Rainha D. Leonor. “Sinto-me cada vez mais orgulhoso por pertencer à Misericórdia de Lamego”, disse no final o Provedor António Marques Luís.
Novamente a convite desta instituição, decorre no próximo sábado, dia 23, a terceira edição desta iniciativa. Desta vez, as intervenções estarão a cargo das investigadoras Ana Isabel Silva (As Misericórdias e a Assistência Hospitalar no Século XIX: do Alto Alentejo a Lamego) e Ana Martins (A Santa Casa em confronto com o Arcebispado: a luta pela provedoria da Misericórdia de Évora: séculos XVIII e XIX). A sessão tem início às 15 horas, no Núcleo Arqueológico do Solar da Porta dos Figos, situado no Bairro do Castelo. A entrada é livre.
No último sábado, durante a segunda edição das conferências "Os 500 anos da Santa Casa da Misericórdia de Lamego: da modernidade à atualidade", Marta Lobo de Araújo abordou o tema “A Misericórdia de Lamego na pena do redactor das Memórias Paroquiais de 1758”, recordando que, neste ano, a instituição já tinha 200 irmãos e dispunha de uma receita anual de 3 contos e 300 mil réis, o que fazia dela uma das mais importantes confrarias do género existentes no país. Outro facto que demonstra a relevância histórica da Misericórdia de Lamego, desde os primórdios da sua fundação, é que na época o hospital que construiu na cidade com a missão de curar doentes foi descrito como “sumptuoso e magnífico”. Além disso, possuía uma hospedaria para prestar assistência aos peregrinos.
A segunda intervenção da tarde esteve a cargo da oradora Alexandra Esteves que abordou “O papel das Misericórdias do distrito de Viana do Castelo na assistência aos presos (séculos XVIII e XIX)”. Recorde-se que uma das obras corporais das misericórdias é “Visitar os presos”.
 
Orçamento da Misericórdia de Lamego prevê redução significativa da despesa
18-Nov-2019



A proposta do Plano de Atividades e Orçamento para 2020 da Santa Casa da Misericórdia de Lamego foi aprovada por unanimidade pelos irmãos que marcaram presença na Assembleia Geral que decorreu na última sexta-feira. A elaboração deste documento teve como princípio orientador a apresentação de várias medidas que visam a redução da despesa e o aumento da receita no âmbito do plano de saneamento financeiro da instituição. O próximo ano será marcado pelo encerramento do programa de comemorações do 500º aniversário da sua fundação e pelo início do funcionamento da nova ala do Lar de Idosos de Arneirós, o maior investimento alguma vez feito por esta instituição em cinco séculos de história. “Um imperativo que há muito se impunha e que é necessário responder com o objetivo de preservar a Visão, a Missão e os Valores da instituição”, afirma o Provedor António Marques Luís.
Nas perspetivas orçamentais, é estimado para 2020 um total de despesas de 2 344 323,07 euros e de receitas 2 145 449,39 euros, com um saldo negativo de 198.873,68 euros, o que significa uma redução de 30% em relação ao valor do défice atual, “por força de um esforço já iniciado e consolidado”.
A rubrica “Custos com o Pessoal” continuará a manter um peso significativo na estrutura das despesas correntes, nomeadamente com uma nova atualização do salário mínimo nacional. No próximo ano, esta instituição deverá assumir mais 46 mil euros de encargos com o aumento do salário mínimo. A atualização dos valores dos acordos que esta Misericórdia tem em vigor com a Segurança Social são insuficientes para cobrir a subida desta despesa. “Tal política só poderia conduzir à asfixia económica e financeira das IPSS que, como é óbvio, não podem refletir no preço dos serviços prestados o aumento dos encargos salariais”, alerta António Marques Luís. O subfinanciamento de algumas valências que apresentam regularmente situações deficitárias é outra razão que explica a existência de défice de exploração corrente.
Os cortes previstos na despesa vão incidir, em particular, na rubrica de fornecimentos e serviços externos e noutro conjunto alargado de despesas. “Procurar-se-á que estas diminuições correspondam a cortes estruturais e não apenas conjunturais”, garante.

Pedida auditoria à União das Misericórdias
Por outro lado, está previsto um aumento de 140 mil euros do lado da receita, devido sobretudo aos valores da comparticipação e subsídios à exploração explicados pelo novo acordo do Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social  (SAAS). Dos 28 protocolos existentes no distrito para a promoção desta valência, apenas dois – Lamego e Viseu – deram origem a novos acordos, tendo as restantes sido encerradas.
Também contribuirá para o crescimento da receita, o incremento dos rendimentos provenientes da exploração da Quinta de Lobrigos, “o que vem demonstrar a mais valia do investimento que vem sendo realizado”, o crescimento da prestação de serviços referente às comparticipações dos utentes e o alargamento do número de utentes do Serviço de Apoio Domiciliário (SAD) e do Centro de Apoio ao Estudo.
Neste momento, a Misericórdia de Lamego aguarda que seja apresentado um plano de reajustamento económico-financeiro, baseado na auditoria que solicitou à União das Misericórdias Portuguesas. Logo que seja recebida, Marques Luís afirma que os seus resultados serão apresentados em Assembleia-Geral, “com vista à adoção de medidas para uma redução mais sustentada do défice de exploração”.
O Plano de Atividades e Orçamento para 2020 da Santa Casa da Misericórdia de Lamego mereceu ainda o parecer positivo do Conselho Fiscal.

 
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