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ROSTOS DA MISERICÓRDIA: Sónia Ferreira

As crianças só precisam de amor e carinho para serem felizes.

Precisam de se sentir amadas, gostam de abraços e mimos e procuram sempre amor incondicional. A vida, no entanto, às vezes é cruel e trai estas expetativas.

Uma decisão judicial ou uma comissão de proteção podem afastar uma criança ou jovem da sua família, em caso de perigo. Na sequência desta medida limite, encontram nas casas de acolhimento um ambiente familiar, indispensável ao seu bem-estar físico e emocional e ao seu desenvolvimento harmonioso.

É assim no Centro de Acolhimento Temporário (CAT) da Misericórdia de Lamego, desde há 20 anos. Uma casa que acolhe, prioritariamente, crianças maltratadas, abandonadas ou negligenciadas, de ambos os sexos, e que se torna no único lar destes miúdos durante anos.

Até serem adotadas ou regressarem à família biológica, Sónia Ferreira e as colegas que trabalham diariamente nesta valência são o mais próximo que estas crianças têm de uma família. “Infelizmente, chegam aqui revoltadas, tristes e inseguras. Já assistiram a muita coisa na vida e nota-se que, muitas vezes, não têm carinho ou qualquer tipo de regra”, conta.

Por entre as tarefas que a ocupa no dia a dia, semelhantes a um lar normal, como ajudar a dar banho ou na hora das refeições, esta funcionária de 47 anos, natural da freguesia de Ferreiros de Avões, “arranja algumas estratégias” para lidar quando as crianças se tornam mais agitadas ou nervosas: “Peço, por exemplo, para me acompanharem nas tarefas para ver se se distraem”. Transmitir alegria e boa disposição também ajuda a criar um ambiente mais acolhedor.

No CAT de Lamego há finais felizes. Histórias de miúdos frágeis que regressam à família de origem ou são adotadas, num exemplo de altruísmo que marca a vida de todos para sempre. A criança começa então a viver com uma família que cuida dela, a acarinha e a protege durante este período tão difícil da sua vida. “Fico muito contente, mas também me custa, porque me afeiçoo muito a elas. Já me aconteceu nem conseguir despedir-me, porque choram muito quando eu aparecia”, recorda.

Sónia promete continuar a dar carinho, estabilidade e confiança às novas crianças que chegam a esta casa, num gesto de amor que as faz feliz.

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